O CEO da CVC Corp, Fabio Godinho, passou o Carnaval deste ano na paradisíaca São Miguel dos Milagres, em Alagoas, pela primeira vez. A julgar pelo bronzeado e pelo sorriso no rosto, gostou do que viu. Assim que retornou ao escritório, na quarta-feira (5), estava visivelmente empolgado com a expansão da companhia.
“Quem conhece o País e os encantos do Nordeste fica impressionado com o nosso potencial no turismo e com as imensas oportunidades de negócios para a CVC”, afirmou o executivo, que comanda a maior empresa de viagens da América Latina. “Temos condições de multiplicar nosso turismo interno nos próximos anos”, acrescentou Godinho em entrevista exclusiva ao BRAZIL ECONOMY, na sede do grupo, em Santo André (SP).
A empolgação de Godinho se reflete no desempenho da companhia, que atingiu 1.300 lojas no País. O plano é chegar a 2 mil unidades nos próximos anos, com expansão principalmente no interior.
“Nosso crescimento está sendo puxado, sem dúvida, pela oferta de produtos exclusivos, formas alternativas de financiamento, avanço de lojas físicas em cidades menores e a integração entre vendas digitais e presenciais, o modelo phygital”, afirmou o CEO.
Um dos principais focos da CVC tem sido a oferta de produtos exclusivos, como voos fretados e pacotes personalizados, que hoje representam 25% das vendas da empresa, ante apenas 2% no início de 2023. A operadora também firmou uma parceria com o Grupo Ávoris, o maior operador turístico da Europa, para ampliar sua capacidade de negociação em destinos internacionais. Juntas, as empresas movimentam cerca de US$ 7 bilhões anuais em compras de hospedagem, transporte e serviços turísticos, o que permite à CVC oferecer condições mais competitivas em destinos como Caribe, Europa e América do Norte.
A parceria com o Grupo Ávoris também abre portas para a atração de turistas europeus ao Brasil, com a possibilidade de operar voos charter diretos da Europa para o País, algo que ainda não é comum no mercado.
“Junto com a Ávoris, ganhamos escala e ampliamos nossas margens em todas as operações em que estamos”, disse Godinho. “A expectativa é que nossas opções internacionais cresçam na casa de 30% no médio prazo”, acrescentou.
A CVC está investindo fortemente na expansão de lojas físicas, mas com um novo modelo: unidades menores, de cerca de 15 metros quadrados, que funcionam como bases de atendimento remoto. Essas lojas, que custam, em média, R$ 70 mil para abrir (ante R$ 300 mil no modelo antigo), estão sendo instaladas em cidades menores, com população a partir de 10 mil habitantes.
Em 2023, a empresa abriu 260 novas lojas no Brasil, sendo 74% delas no interior, um recorde histórico para a companhia. Somadas às lojas da Almundo (operação na Argentina) e da Experimento (de intercâmbio), foram 305 novos endereços.
Além disso, a CVC está integrando vendas digitais e presenciais. Hoje, 30% das vendas das lojas físicas são iniciadas online, com o cliente sendo direcionado para um atendimento personalizado via WhatsApp ou em uma loja próxima. Esse modelo, conhecido como phygital, tem aumentado a conversão de vendas em 25 vezes e elevado o tíquete médio em 50%.
Quer pagar como?
Outro pilar da estratégia da CVC é a redução da dependência do cartão de crédito como forma de pagamento. Em 2023, 85% das vendas eram feitas no cartão. Hoje, esse número caiu para 55%.
A empresa está incentivando o uso de boletos bancários, carteiras digitais (como PicPay e Nubank) e até mesmo o saque-aniversário do FGTS. Detalhe: sem levar calote. A inadimplência com boletos, por exemplo, está em 1,8%, abaixo do custo das taxas de cartão de crédito (MDR). Na Black Friday do ano passado, com a diversificação de pagamentos e opções de destinos, a empresa fez as vendas crescerem 40% o que deu tração para o otimista início de 2025.
No mercado doméstico, a CVC registrou um crescimento de mais de 30% no primeiro bimestre deste ano, impulsionado principalmente pela alta demanda por destinos no Nordeste. Já no mercado internacional, a empresa espera um crescimento de dois dígitos, com destaque para destinos como Caribe e Europa, onde a desvalorização do real em relação ao dólar e ao euro tem estimulado a procura por pacotes all-inclusive e viagens de luxo.
A operadora também está explorando novos destinos, como a Costa Rica, onde a Gol começou a operar voos recentemente.
“Mesmo em destinos onde ainda não há volume significativo de passageiros, estamos conseguindo oferecer condições competitivas”, garantiu o CEO.
Reestruturação financeira e governança
A CVC passou por uma reestruturação financeira em 2023, incluindo a captação de R$ 800 milhões em um follow-on e a renegociação de dívidas, que foram reduzidas de R$ 800 milhões para R$ 500 milhões.
A empresa também melhorou sua governança, com a volta da família fundadora ao controle, adquirindo 20% do capital da companhia, e a entrada de novos executivos com experiência no setor de turismo. Hoje, o presidente do conselho é Gustavo Paulus, filho do fundador, Guilherme Paulus.
A CVC, não por acaso, se mostra otimista com o futuro dos negócios. A empresa espera um aumento de 7% a 10% na oferta de assentos no mercado doméstico e de 15% a 20% no internacional em 2025. Com a estabilização dos preços das passagens aéreas e a expectativa de que o dólar se mantenha em patamares favoráveis, a demanda por viagens deve continuar aquecida.
A estratégia da CVC, segundo Godinho, é clara: combinar a confiança e a proximidade das lojas físicas com a agilidade e a conveniência do digital, oferecendo produtos exclusivos e formas de pagamento flexíveis para conquistar tanto o consumidor brasileiro quanto o internacional.
Com isso, a empresa espera consolidar sua posição como líder do setor de turismo no Brasil e expandir sua atuação global.
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